Como a Química Verde Transforma o Setor Industrial

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Como a Química Verde Transforma o Setor Industrial apresenta uma análise crítica do papel da química para mudar sua imagem de poluidora. Em um cenário global cada vez mais preocupado com as mudanças climáticas e a sustentabilidade, a química verde emerge como uma força transformadora no setor industrial. Este conceito, que ganhou proeminência sobretudo nas últimas três décadas, está redefinindo os processos de produção. Assim, ele promete não apenas reduzir o impacto ambiental, mas também abrir novas fronteiras para inovação e eficiência econômica.

Princípios e Objetivos da Química Verde

Química verde

A química verde é guiada por 12 princípios fundamentais, estabelecidos pelos químicos Paul Anastas e John Warner em 1998. Esses princípios enfatizam sobretudo a prevenção de resíduos, a economia de átomos, o uso de metodologias sintéticas menos perigosas, o design de produtos químicos mais seguros, entre outros aspectos cruciais para uma produção mais sustentável [1].

“A química verde não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente”. Dessa forma, que a química está redesenhando a química para que seja intrinsecamente benigna, ao invés de tentar gerenciar riscos após o fato.

Impacto na Indústria Química

A princípio, a indústria química, tradicionalmente associada a processos poluentes, está na vanguarda desta transformação. Um estudo recente publicado na revista “Green Chemistry” revelou que a implementação de princípios de química verde pode reduzir o uso de energia em até 75% e o uso de água em até 50% em processos químicos industriais [2].

Um exemplo notável é o desenvolvimento do ácido adípico, um componente chave na produção de nylon. Então, a Rennovia Inc. desenvolveu um processo catalítico que utiliza glucose derivada de biomassa como matéria-prima, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa em 85% em comparação com o processo petroquímico tradicional [3].

Revolução na Indústria Farmacêutica

A indústria farmacêutica também está abraçando a química verde. Ou seja, um caso emblemático é a síntese do sildenafil citrato (Viagra) pela Pfizer. A empresa redesenhou o processo de produção, eliminando o uso de cloreto de tionila (um reagente altamente tóxico) e reduzindo o número de etapas de síntese. Dessa forma, o resultado foi uma redução de 20% no uso de solventes orgânicos e um aumento significativo na eficiência do processo [4].

Dessa forma, a química verde não apenas torna nossos processos mais sustentáveis, mas também mais eficientes e econômicos. Assim, nessa situação em que todos ganham: o meio ambiente, os pacientes e a indústria.”

Plásticos e Materiais Sustentáveis

A química verde está impulsionando uma revolução na indústria de plásticos. Pesquisadores da Universidade de Stanford desenvolveram um novo tipo de plástico que é biodegradável e reciclável. Este material, feito a partir de carbono atmosférico e plantas, pode ser despolimerizado de volta aos seus blocos de construção moleculares e reutilizado repetidamente, oferecendo uma solução potencial para o problema global de resíduos plásticos [5].

Agricultura e Pesticidade Verdes

No setor agrícola, a química verde está transformando o desenvolvimento de pesticidas. Um exemplo é o spinosad, um biopesticida derivado de bactérias do solo. Este composto é altamente eficaz contra pragas alvo, mas tem um impacto mínimo em insetos benéficos e no meio ambiente. O spinosad foi reconhecido pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA com o Prêmio de Química Verde em 1999 [6].

Desafios e Oportunidades

Apesar do progresso, a implementação generalizada da química verde ainda enfrenta desafios. Um estudo publicado na “ACS Sustainable Chemistry & Engineering” identificou barreiras como custos iniciais elevados, falta de regulamentação adequada e resistência à mudança em práticas industriais estabelecidas [7].

No entanto, as oportunidades são significativas. Assim, o mercado global de química verde deve atingir US$ 100 bilhões até 2025. Dessa forma, ele é impulsionado pela crescente demanda por produtos sustentáveis e regulamentações ambientais mais rigorosas [8].

Conclusão

À medida que o mundo enfrenta desafios ambientais cada vez mais urgentes, o papel da química verde na indústria só tende a crescer. Portanto, a química verde não é apenas sobre fazer as coisas de forma diferente. Ela é sobre repensar fundamentalmente nossa relação com os materiais e processos que usamos. Ou seja, é uma mudança de paradigma que tem o potencial de transformar não apenas a indústria, mas toda a nossa sociedade

Enquanto laboratórios e fábricas em todo o mundo continuam a inovar, uma coisa é certa: o futuro da indústria é verde, e a química está liderando o caminho.

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Referências:

[1] Anastas, P. T., & Warner, J. C. (1998). Green Chemistry: Theory and Practice. Oxford University Press.

[2] Zhang, Y., et al. (2020). “Quantifying the Environmental Benefits of Green Chemistry in the Chemical Industry.” Green Chemistry, 22(14), 4490-4505.

[3] Boussie, T. R., et al. (2016). “Production of Adipic Acid and Derivatives from Carbohydrate-Containing Materials.” US Patent 9,359,389.

[4] Dunn, P. J. (2012). “The importance of Green Chemistry in Process Research and Development.” Chemical Society Reviews, 41(4), 1452-1461.

[5] Zhu, J. B., et al. (2018). “A synthetic polymer system with repeatable chemical recyclability.” Science, 360(6387), 398-403.

[6] Copping, L. G., & Menn, J. J. (2000). “Biopesticides: a review of their action, applications and efficacy.” Pest Management Science, 56(8), 651-676.

[7] Sheldon, R. A. (2016). “Green chemistry and resource efficiency: towards a green economy.” Green Chemistry, 18(11), 3180-3183.

[8] Global Green Chemicals Market – Growth, Trends, and Forecast (2020-2025). Mordor Intelligence.

 

 

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